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14 de novembro de 2005

O Informatico naufrago

Um Informático programador algo introvertido conseguiu finalmente realizar o sonho da sua vida: um Cruzeiro. Estava a desfrutar da viagem quando um furacão virou o navio como se fosse uma caixa de fósforos. O rapaz conseguiu agarrar-se a um salvavidas e chegar a uma ilha aparentemente deserta e muito escondida. Deparou com uma cena belíssima: cascatas, bananeiras, coqueiros... mas mais quase nada além disso. Sentiu-se desesperado e completamente abandonado.

Vários meses se passaram e um belo dia apareceu, remando, uma rapariga deslumbrante, mistura de Sharon Stone com Cindy Crawford. A moça acercou-se e começou a conversa:

- Eu sou do outro lado da ilha. Não me digas que também estavas no cruzeiro?

- Estava! Mas onde diabo conseguiste esse bote?

- Simples! Com uns ramos de árvores, e alguma borracha, reforcei os ramos, fiz a quilha e os remos com madeira de eucalipto.

- Bem! fantástico! Mas... com que ferramentas?

- Bom, achei uma camada de material rochoso, evidentemente formada por aluviões siliciosos. Sabia que aquecendo este material a uma certa temperatura, ele assumia uma forma muito maleável, e ao arrefecer adquiria uma considerável dureza e resistência. Mas chega disso! Onde tens vivido este tempo todo? Não vejo nada que se pareça com um tecto...

- Para te ser franco, tenho dormido na praia (reconheceu envergonhado).

- Queres vir a minha casa?

O informático aceitou, meio atrapalhado. Ela remou com extrema destreza, e quando chegou ao "seu" lado, amarrou a canoa com uma corda que mais parecia uma obra prima de artesanato. Desembarcaram por uma passarela de pedras construída pela rapariga e depararam, atrás de um coqueiro, com um lindo "chalet" pintado de azul e branco.

- Não há muito, disse ela, mas eu chamo isto o "lar doce lar".

Já dentro, ela convidou:

- Senta-te, por favor! Aceitas uma bebida?

- Não, obrigado! Já não aguento mais água de coco!

- Mas não é água de coco! Eu tenho um alambique meio rudimentar lá fora, de forma que podemos tomar piñas-coladas autênticas!

Tentando disfarçar o embaraço, o informático aceitou. Sentaram-se no sofá dela para conversar.Depois de trocarem as suas histárias, a beldade perguntou:

- Sempre usaste barba?

- Não. Na verdade sempre andei muito bem barbeado.

- Bom... se quiseres barbear-te, tens uma navalha lá em cima, no armário da casa de banho.

Ele achou que estava a ser gozado, mas ainda assim foi lá cima, e realmente fez a barba com um complicado aparelho feito de osso e conchas, tão afiado como uma verdadeira navalha. A seguir, tomou um bom banho, sem nem sequer arriscar perguntar, como era possível existir água quente.

Desceu, maravilhado com o acabamento impecável do corrimão.

- Pareces 10 anos mais novo! Vou lá cima também vestir algo mais confortável.

O nosso herói continuou bebericando a piña colada. Minutos depois a rapariga voltou exibindo, com um delicioso perfume de gardénias, e vestindo um estonteante e revelador vestido, muito bem trabalhado em folhas de palmeira.

- Bom - disse ela - ambos temos passado um longo tempo sem qualquer companhia... tu não te tens sentido solitário? Há alguma coisa de que sintas muita saudade? Algo que todos os homens e mulheres precisam?

- Mas é claro! - disse ele esquecendo um pouco sua timidez. Ao fim de todos estes meses as necessidades acumulam-se. Mas... aqui nesta ilha... sózinho, sabes como é... era simplesmente impossível.

- Bom - disse ela - acho que te entendo perfeitamente...também já não aguentava mais!

O rapaz, tomado de uma excitação incontrolável, disse, quase sem alento:

- Não acredito! Não é possível ....Não me digas que... arranjaste um meio de ler os teus E-MAILs aqui, na ilha?

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